A acessibilidade nas eleições 2026 ganhou destaque com o crescimento do número de eleitores com deficiência e a ampliação dos recursos oferecidos pela Justiça Eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 1,97 milhão de pessoas com deficiência estavam aptas a votar neste ano.
Além disso, o Brasil ampliou o número de seções eleitorais com acessibilidade e incorporou recursos para facilitar a votação. Entretanto, os avanços não eliminam todos os desafios relacionados à circulação, à comunicação e ao deslocamento dos eleitores.
Afinal, garantir o direito ao voto exige mais do que disponibilizar urnas acessíveis. É necessário considerar toda a experiência do eleitor, desde sua chegada ao local de votação até o momento de registrar sua escolha.
Mas o Brasil está preparado para garantir acessibilidade em todas as etapas do processo eleitoral?
Acessibilidade nas eleições 2026: o que mostram os dados do TSE?
As Eleições de 2026 registraram o maior número de eleitores com deficiência já contabilizado pela Justiça Eleitoral.
Segundo o TSE, 1.970.165 pessoas com deficiência estavam aptas a votar, um crescimento de aproximadamente 42% em relação às eleições de 2022.
Além disso, o número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296, em 2022, para 220.577, em 2026.
Entretanto, conforme reportagem publicada pelo Senado Federal em 9 de outubro de 2026, essas seções representavam aproximadamente 42,6% do total de seções eleitorais brasileiras.
Eleições 2026 em números:
- 1,97 milhão de eleitores com deficiência aptos a votar.
- 42% de crescimento desse eleitorado em relação a 2022.
- 220.577 seções eleitorais principais com acessibilidade.
- 42,6% do total de seções contabilizadas como acessíveis.
Esses números demonstram avanços importantes. No entanto, também evidenciam a necessidade de ampliar as condições de acessibilidade em todo o território nacional.
É importante destacar que a classificação de uma seção como acessível não equivale, necessariamente, a uma avaliação completa de todos os elementos arquitetônicos da edificação.
Por isso, além de ampliar a quantidade de seções, é fundamental acompanhar as condições reais dos espaços utilizados.
Quais recursos de acessibilidade estão disponíveis nas eleições 2026?
A Justiça Eleitoral adotou medidas para ampliar a participação das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Essas iniciativas envolvem a infraestrutura dos locais de votação, os recursos tecnológicos das urnas e o apoio ao deslocamento dos eleitores.
1. Ampliação dos locais de votação acessíveis
A acessibilidade arquitetônica é essencial para garantir que o eleitor consiga chegar à seção eleitoral e utilizar os ambientes com segurança e autonomia.
Por isso, os locais de votação precisam considerar diferentes condições de mobilidade e percepção.
Entre os principais elementos que merecem atenção estão:
- Rotas acessíveis, contínuas e desobstruídas.
- Rampas e acessos adequados, quando necessários.
- Portas, corredores e áreas de circulação.
- Sinalização visual e tátil conforme as normas aplicáveis.
- Condições de acesso e utilização das salas de votação.
- Orientação e atendimento às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Entretanto, a simples presença desses elementos não garante que uma edificação esteja acessível.
Uma rampa pode apresentar inclinação inadequada. Da mesma forma, um corredor pode possuir largura suficiente, mas apresentar obstáculos que dificultam o deslocamento.
Além disso, uma rota acessível pode ser interrompida antes de chegar à sala de votação.
A acessibilidade precisa funcionar durante todo o percurso, e não apenas em pontos isolados da edificação.
Nesse contexto, avaliações técnicas e vistorias periódicas são importantes para identificar barreiras e verificar as condições dos espaços.
2. Urnas eletrônicas com recursos de acessibilidade
A acessibilidade nas eleições 2026 também envolve os equipamentos utilizados durante a votação.
As urnas eletrônicas oferecem recursos que contribuem para a autonomia de pessoas com diferentes necessidades.
Entre as funcionalidades disponíveis estão:
- Sistema de áudio com orientações durante a votação.
- Teclado com identificação em Braille.
- Referências táteis para facilitar a identificação das teclas.
- Recursos de Libras apresentados na tela.
- Melhorias visuais na apresentação das informações.
- Possibilidade de utilização de tecnologias assistivas, conforme as regras eleitorais.
Além disso, eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem receber auxílio de uma pessoa de confiança, quando necessário e observadas as condições previstas pela Justiça Eleitoral.
Esses recursos buscam ampliar a autonomia, a segurança e o sigilo do voto.
Entretanto, a tecnologia representa apenas uma das dimensões da acessibilidade.
Para que o eleitor consiga utilizar a urna, também é necessário garantir condições adequadas de acesso, circulação, comunicação e atendimento.
3. Transporte acessível para chegar aos locais de votação
A acessibilidade não começa na entrada da seção eleitoral.
Para muitas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, o deslocamento até o local de votação representa uma dificuldade significativa.
Por isso, a Justiça Eleitoral instituiu, em 2026, o programa Seu Voto Importa.
A iniciativa prevê transporte especial para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não disponham de meios próprios para chegar aos locais de votação, conforme os critérios estabelecidos pelo programa.
O serviço depende de procedimentos de solicitação e organização pelos órgãos responsáveis.
Segundo informações divulgadas pelo Senado Federal, mais de 2 mil eleitores com mobilidade reduzida já haviam utilizado o transporte oferecido pelo programa no primeiro turno, conforme o balanço disponível naquele momento.
A iniciativa reforça um princípio importante: garantir acessibilidade significa considerar toda a jornada do usuário.
Afinal, não basta oferecer um ambiente acessível se a pessoa encontra barreiras para chegar até ele.
Acessibilidade nos locais de votação: por que a avaliação técnica é importante?
Um dos principais desafios da acessibilidade eleitoral está relacionado às condições das edificações utilizadas como locais de votação.
Escolas, instituições públicas e outros imóveis recebem milhares de eleitores durante o processo eleitoral.
Entretanto, essas edificações possuem características arquitetônicas diferentes. Além disso, reformas, mudanças na organização dos ambientes e alterações no mobiliário podem modificar suas condições de acessibilidade.
Por isso, o TSE destaca a importância das vistorias periódicas para atualizar as informações sobre os locais de votação.
Do ponto de vista técnico, uma avaliação de acessibilidade precisa considerar a integração entre os diferentes ambientes.
Por exemplo, um local pode possuir uma entrada acessível, mas apresentar dificuldades no percurso até a seção eleitoral.
Da mesma forma, a existência de sinalização tátil não garante orientação adequada quando os elementos apresentam interrupções ou direcionamentos incompatíveis com o percurso.
Nesse contexto, a ABNT NBR 9050 constitui uma das principais referências para a avaliação das condições de acessibilidade em edificações.
Além disso, outras normas técnicas, como a ABNT NBR 16537, apresentam diretrizes específicas para determinados recursos de orientação.
A acessibilidade não depende apenas da existência de adaptações, mas da qualidade técnica e da integração entre as soluções adotadas.
Essa análise também se aplica a estabelecimentos comerciais, instituições de ensino, hospitais, shoppings e demais edificações de uso coletivo.
Quais são os principais desafios da acessibilidade eleitoral?
Apesar dos avanços registrados em 2026, a acessibilidade eleitoral ainda enfrenta desafios.
Uma reportagem publicada pelo Senado Federal em outubro destacou dificuldades relacionadas ao deslocamento, à comunicação, à infraestrutura e ao atendimento às pessoas com deficiência.
Essas questões demonstram que a acessibilidade precisa ser compreendida de maneira ampla.
Acessibilidade arquitetônica
A acessibilidade arquitetônica envolve as condições físicas de acesso, circulação e utilização dos ambientes.
Por isso, os locais de votação precisam considerar rotas acessíveis, desníveis, portas, corredores, sinalização e outros elementos relevantes.
Além disso, é necessário observar como esses recursos funcionam em conjunto.
Uma adaptação isolada pode não resolver as barreiras existentes. Portanto, a avaliação deve considerar o percurso completo do usuário.
Acessibilidade comunicacional
A acessibilidade comunicacional está relacionada ao acesso às informações e à possibilidade de compreender orientações e procedimentos.
Nesse sentido, recursos como Libras, conteúdos digitais acessíveis, linguagem clara e outras soluções contribuem para ampliar a participação das pessoas com deficiência.
Entretanto, disponibilizar informações não significa, necessariamente, torná-las acessíveis.
Por isso, a comunicação precisa considerar diferentes formas de percepção e compreensão.
Acessibilidade atitudinal
A acessibilidade também depende da maneira como as pessoas são recebidas e atendidas.
Barreiras atitudinais envolvem preconceitos, comportamentos discriminatórios e práticas que dificultam a participação das pessoas com deficiência.
Além disso, a falta de orientação dos profissionais responsáveis pelo atendimento pode comprometer a experiência dos eleitores.
Por esse motivo, a capacitação das equipes representa uma medida importante.
A acessibilidade se torna mais efetiva quando infraestrutura, comunicação e atendimento funcionam de maneira integrada.
Segundo turno das eleições 2026: por que verificar o local de votação?
O segundo turno das Eleições de 2026 está previsto para 25 de outubro.
Por isso, os eleitores devem consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral para confirmar seus locais de votação e verificar possíveis orientações.
Essa medida é especialmente importante porque as condições e a organização dos espaços podem sofrer alterações.
Além disso, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem buscar informações junto à Justiça Eleitoral sobre os recursos de acessibilidade disponíveis.
O acompanhamento dessas condições contribui para reduzir dificuldades no dia da votação.
Entretanto, a responsabilidade pela acessibilidade não deve depender exclusivamente da iniciativa do eleitor.
É fundamental que os órgãos responsáveis continuem avaliando os espaços, identificando barreiras e promovendo as adequações necessárias.
O que a acessibilidade nas eleições ensina sobre outros ambientes?
As eleições demonstram que a acessibilidade precisa fazer parte do planejamento e da gestão dos espaços.
Esse princípio também se aplica a empresas, escolas, hospitais, concessionárias, shoppings e estabelecimentos comerciais.
Afinal, todos esses ambientes recebem pessoas com diferentes características e necessidades.
Por isso, a avaliação deve considerar a forma como os usuários chegam, circulam, recebem informações e utilizam os espaços.
Em edificações existentes, um Laudo Técnico de Acessibilidade pode auxiliar na identificação de barreiras arquitetônicas e inconformidades, conforme o escopo contratado.
Além disso, o Projeto de Acessibilidade permite desenvolver soluções técnicas para adequar os ambientes às exigências aplicáveis.
A consultoria especializada também contribui para orientar decisões, analisar projetos e identificar oportunidades de melhoria.
Dessa forma, as organizações podem planejar intervenções de maneira integrada, evitando adaptações isoladas que não resolvem as necessidades dos usuários.
A acessibilidade deve fazer parte do funcionamento dos ambientes, e não representar apenas uma medida adotada diante de uma exigência.
Por que contratar uma empresa especializada em acessibilidade?
O desenvolvimento de um Projeto de Acessibilidade exige mais do que conhecer dimensões e parâmetros normativos.
É necessário compreender como as pessoas utilizam os ambientes e como os diferentes elementos se relacionam.
Além disso, cada edificação apresenta limitações, características e necessidades específicas.
Uma solução adequada para determinado empreendimento pode não atender às condições de outro.
Por isso, uma análise especializada contribui para identificar alternativas tecnicamente compatíveis com o espaço.
O planejamento também ajuda a reduzir intervenções isoladas, evitar retrabalhos e organizar os investimentos necessários.
Dessa forma, a acessibilidade passa a integrar o funcionamento da edificação, em vez de representar apenas uma adaptação pontual.
Acessibilidade é uma condição para a participação de todos
Os avanços registrados nas Eleições de 2026 mostram que o Brasil vem ampliando as iniciativas voltadas à participação das pessoas com deficiência no processo eleitoral.
Entretanto, os desafios existentes demonstram que a inclusão exige planejamento, avaliação e melhorias contínuas.
Garantir acessibilidade significa oferecer condições para que cada pessoa exerça seus direitos com dignidade, segurança e autonomia.
Além disso, a experiência eleitoral reforça a importância de avaliar os espaços de maneira integrada, considerando infraestrutura, orientação, comunicação e atendimento.
Na CAVI Consultoria e Acessibilidade, acreditamos que ambientes acessíveis são resultado de conhecimento técnico, planejamento e soluções adequadas às necessidades das pessoas.
Com experiência desde 2010, a CAVI desenvolve Projetos de Acessibilidade, realiza avaliações técnicas e oferece consultoria especializada para edificações de diferentes segmentos.
Nosso trabalho contribui para que empresas e instituições identifiquem barreiras, compreendam suas necessidades e planejem intervenções compatíveis com as normas aplicáveis.
Sua empresa ou instituição precisa avaliar as condições de acessibilidade de uma edificação?
Entre em contato com a equipe da CAVI e conheça nossas soluções técnicas.
CAVI Consultoria e Acessibilidade
Da norma à prática. Soluções possíveis em espaços reais.
